Alegação CH135:
A Bíblia descreve práticas médicas e sanitárias notáveis para a época. Diz que você deve enterrar suas fezes (Deut. 23:13). Exige que as pessoas se lavem após tocar um corpo morto (Números 19:11-22). Observa que o oitavo dia após o nascimento é o momento mais seguro para realizar circuncisões (Gênesis 17:12; Levítico 12:2-3).Fonte:
Watchtower Bible and Tract Society, 1985. Life--How Did It Get Here? Brooklyn, NY, p. 204-206.
Resposta:
- A precisão em um ponto não demonstra precisão geral. Gênesis 30:25-33, por exemplo, descreve um programa de reprodução baseado em magia simpática.
- Deuteronômio 23:9-14 não trata de higiene. O propósito de enterrar as fezes é para que Deus não se ofenda ao ver algo indecente e se afaste. A ideia é religiosa; a impureza tornaria alguém inadequado para uma guerra religiosa. Também existe o perigo de que as fezes expostas pudessem ser encontradas pelo inimigo e usadas magicamente contra alguém (Scott 1979).
Números 19:11-22 não trata de higiene. Refere-se à purificação ritual realizada aspergindo água, não lavando-se com ela. A purificação deve ser feita não imediatamente após tocar o corpo, como uma boa prática de saúde exigiria, mas no terceiro e sétimo dias. Quem falhar em realizar o ritual fica impuro e deve ser ostracizado de Israel. Basicamente, é um tabu supersticioso. Tabus semelhantes contra pessoas que tocaram corpos mortos parecem ser universais na Polinésia (Frazer 1993, 206). Além disso, a menos que tenham morrido de peste ou estejam em decomposição há alguns dias, os corpos mortos não são menos limpos que os vivos. - A Bíblia não inclui diretrizes que realmente indicariam boas práticas médicas, como enterrar fezes a jusante da fonte de água potável e lavar as mãos em água limpa em circunstâncias que realmente preveniriam a propagação de germes perigosos.
- Atribuir um requisito de algum conhecimento especial para explicar o conhecimento de boas práticas de saúde assume que os hebreus antigos eram idiotas. As pessoas muitas vezes podem ver os resultados que vêm de más práticas.
Referências:
- Frazer, Sir James, 1993. The Golden Bough. Ware, Hertfordshire: Wordsworth.
- Scott, D. Russell, 1979. Deuteronômio. Em: The Abingdon Bible Commentary, Eiselen, C., E. Lewis e D. G. Downey, eds., Nova York: Abingdon Press. Citando Frazer, Golden Bough vol. i, pp. 327f.
criado 2003-7-11