Assunto: Abertura do capítulo que você nunca verá em um livro de gravidez/parto Grupos de notícias: talk.origins Data: 14 de maio de 2002 Identificação da mensagem: 3tm2eustkf7v5o3tjj34k59ei09d3frqfk@4ax.com
(com desculpas ao falecido Douglas Adams e a todos do "Hitchhiker's Guide")
Humanos são ruins ao dar à luz.
Muito, muito ruins. A única forma de realmente perceber o quanto nossa espécie tem sido malfeita nesse aspecto é observar outros mamíferos fazendo isso. Cães? Exceto pelas raças que os humanos distorceram artificialmente em formas estranhas, os filhotes praticamente caem para fora do útero da mãe. Com gatos acontece o mesmo. Os filhotes de chimpanzé praticamente se puxam para fora pelos pelos da perna da mãe assim que conseguem colocar a cabeça e os braços para fora do canal de parto. Cavalos? As pernas longas podem complicar, mas novamente o potrinho, nove vezes em cada dez, simplesmente desliza para fora. E nem vamos começar a falar sobre a manobra desenvolvida pelo ramo marsupial da família. Preguiçosos. Eles colocam bebês do tamanho de balas de goma e deixam que elas completem o restante do crescimento depois de estarem a salvo do outro lado do arco pélvico da mãe.
No passado era tradicional culpar esse erro de projeto gritante em Deus; o pensamento moderno é muito a favor de culpar o falecido Charles Darwin. Uma vantagem dessa mudança é que o Dr. Darwin, sendo [1] apenas humano e [2] morto há muito tempo, raramente derruba críticos com raios se seus sentimentos são feridos.
Nos dizem que os humanos entraram nesse aperto por tentar fazer, ao mesmo tempo, duas modificações corporais complicadas: andar eretos e ter cérebros enormes. Infelizmente, ninguém percebeu que essas duas brilhantes ideias se chocavam até que fosse tarde demais para fazer qualquer coisa a respeito. Andar, como praticado por humanos, exige uma pelve de uma certa forma — quanto mais estreita, geralmente, melhor. Ter um cérebro grande, por outro lado, exige cabeças grandes — inclusive grandes cabeças para os bebês. Esses bebês precisam nascer passando por uma abertura na pelve — aquela pelve estreita de que acabamos de falar. Opa. (É aparentemente tarde demais para pedir desculpas aos marsupiais e pedir para emprestar o método deles, por favor.)
Os equivalentes do “gene egoísta” no meio dos hackers vêm remendando o sistema desde então, tentando fazê-lo funcionar pouco a pouco cada vez melhor. Um certo progresso foi feito. Bebês humanos hoje nascem num nível extremo (pelos padrões gerais dos mamíferos) de imaturidade, o que permite ao cérebro crescer bastante após já ter saído da mãe em segurança. (Talvez tenhamos plagiado um pouco os marsupiais, afinal.) A “fontanela” na cabeça de um recém-nascido (na verdade, existem duas) permite que partes do crânio do bebê literalmente se comprimam enquanto tiram o melhor proveito da sua passagem apertada. E o dimorfismo sexual — a pelve mais larga na fêmea adulta — ajuda, certamente. Ainda assim, todo o processo continua muito no estado em que uma certa porcentagem de mães e bebês ainda morreria no parto se o sistema fosse deixado para se resolver sozinho.
Por esse motivo, os humanos nunca deixaram isso ao acaso. Desde que há registros históricos e certamente muito antes, os humanos aplicaram esses cérebros perigosamente grandes para resolver o problema de lidar com um processo de parto que é (a) necessário, (b) doloroso, (c) mortal em graus variados e principalmente (d) perigoso. Este fato básico sobre nossa anatomia moldou a cultura, crenças e práticas médicas de todas as sociedades humanas, inclusive a nossa.
Louann, cujo cérebro faz esse tipo de coisa às 4h30, mas que se sente melhor agora.
-- Nas últimas semanas, o Yahoo! mudou completamente sua imagem pública de "recurso respeitado na internet" para "horroroso comércio de spam com cheiro de dinheiro". Objetivo curioso para uma empresa.
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