Alegação CB411:
A evolução não pode explicar comportamento moral, especialmente o altruísmo. O fitness evolutivo é egoísta; os indivíduos ganham apenas beneficiando a si mesmos e seus descendentes.Fonte:
Dembski, William A., 2004. Reflexões sobre as origens humanas.
http://www.designinference.com/documents/2004.06.Human_Origins.pdf
Watchtower Bible and Tract Society. 1985. Life--How Did It Get Here? Brooklyn, NY, p. 177.
Watchtower Bible and Tract Society. 1985. Life--How Did It Get Here? Brooklyn, NY, p. 177.
Resposta:
- A alegação ignora o que acontece quando os organismos vivem socialmente. Na verdade,
muito sobre a moral pode ser explicado pela evolução. Como os humanos são
animais sociais e eles se beneficiam das interações com outros, a seleção
natural deve favorecer comportamento que nos permite conviver melhor com
os outros.
Justiça e cooperação têm valor para lidar com pessoas repetidamente (Nowak et al. 2000). As emoções envolvidas com tal justiça poderiam ter evoluído quando os humanos viviam em pequenos grupos (Sigmund et al. 2002). A participação opcional pode frustrar até a exploração anônima e tornar a cooperação vantajosa em grandes grupos (Hauert et al. 2002).
A seleção de parentesco pode explicar algum comportamento altruísta em relação a parentes próximos; porque eles compartilham muitos dos mesmos genes, ajudá-los beneficia os genes do doador, também. Nas sociedades, o altruísmo beneficia o doador porque quando outros veem alguém agindo de forma altruísta, eles são mais propensos a dar a essa pessoa (Wedekind and Milinski 2000). No longo prazo, a pessoa generosa beneficia-se de uma reputação melhorada (Wedekind and Braithwaite 2002). O castigo altruísta (punir outro mesmo custando para si mesmo) permite que a cooperação floresça mesmo em grupos de estranhos não relacionados; o resumo do Fehr e Gächter (2002) vale a pena ser citado na íntegra:
A cooperação humana é um enigma evolutivo. Diferente de outros seres, as pessoas cooperam frequentemente com estranhos geneticamente não relacionados, muitas vezes em grandes grupos, com pessoas que nunca mais verão, e quando os ganhos de reputação são pequenos ou ausentes. Esses padrões de cooperação não podem ser explicados pelos motivos de nepotismo associados à teoria evolutiva da seleção de parentesco e pelos motivos egoístas associados à teoria do sinal ou à teoria do altruíismo recíproco. Aqui mostramos experimentalmente que o castigo altruísta de desviantes é um motivo chave para a explicação da cooperação. O castigo altruísta significa que os indivíduos punem, embora a punição seja custosa para eles e não gere ganho material. Mostramos que a cooperação floresce se o castigo altruísta for possível, e quebra se for excluído. As evidências indicam que as emoções negativas em relação aos desviantes são o mecanismo proximal por trás do castigo altruísta. Esses resultados sugerem que o futuro estudo da evolução da cooperação humana deve incluir um forte foco em explicar o castigo altruísta.
Finalmente, a evolução não exige que todos os traços sejam adaptativos 100 por cento do tempo. O altruísmo que beneficia a si mesmo na maioria das vezes pode contribuir para o comportamento de risco à vida em algumas circunstâncias infrequentes. - Esta alegação é um argumento da incredulidade. Não saber uma explicação não significa que nenhuma explicação existe. E como observado acima, muito da explicação já é conhecida.
Referências:
- Fehr, Ernst and Simon Gächter, 2002. Altruistic punishment in humans. Nature 415: 137-140.
- Hauert, C., S. De Monte, J. Hofbauer and K. Sigmund, 2002. Volunteering as Red Queen mechanism for cooperation in public goods games. Science 296: 1129-1132.
- Nowak, M. A., K. M. Page and K. Sigmund, 2000. Fairness versus reason in the ultimatum game. Science 289: 1773-1775.
- Sigmund, Karl, E. Fehr and M. A. Nowak, 2002. (ver abaixo)
- Wedekind, C. and V. A. Braithwaite, 2002. The long-term benefits of human generosity in indirect reciprocity. Current Biology 12: 1012-1015.
- Wedekind, C. and M. Milinski, 2000. Cooperation through image scoring in humans. Science 288: 850-852. See also Nowak, M. A. and K. Sigmund, 2000. Shrewd investments. Science 288: 819-820.
- Wright, Robert, 1994. (ver abaixo)
Leituras adicionais:
Netting, Jessa, 2000 (20 Out.). Modelo de bom (e ruim) comportamento. Nature Science Update, http://www.nature.com/nsu/001026/001026-2.htmlSigmund, Karl, Ernst Fehr and Martin A. Nowak, 2002. The economics of fair play. Scientific American 286(1) (Jan.): 82-87.
Vogel, Gretchen, 2004. The evolution of the golden rule. Science 303: 1128-1131.
Wright, Robert, 1994. The Moral Animal New York: Pantheon Books.
Henrich, Joseph. 2006. Cooperation, punishment, and the evolution of human institutions. Science 312: 60-61.
Nowak, Martin A. 2006. Five rules for the evolution of cooperation. Science 314: 1560-1563.
criado 2004-9-30, modificado 2008-1-4